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Exposição Actual

06/04/2021 - 31/05/2021

Um galo sozinho não tece uma manhã

Para o futuro, esperamos mostrar mais trabalhos nunca vistos da coleção da família, e fortalecer as nossas ligações com a cena artística portuguesa através da colaboração. Seguindo esta lógica, convidámos Luiza Teixeira de Freitas, curadora, que vive e trabalha em Lisboa, para ser a nossa curadora para 2021-2022, e trabalhar em conjunto com Aveline de Bruin no programa. Luiza já colaborou connosco no passado, mas mais do que isso tem sido uma amiga próxima e confidente ao longo dos anos.

Um galo sozinho não tece uma manhã é o título do projeto deste ano para o Quetzal Art Centre. Parte de um poema de João Cabral de Melo Neto, alude à importância do trabalho conjunto, da cooperação, do diálogo. Em conjunto, Aveline de Bruin e Luiza Teixeira de Freitas farão a curadoria de diversos projetos, exposições coletivas e apresentações individuais de artistas, procurando responder com sensibilidade a estes estranhos tempos que o mundo atravessa. Entrelaçando e permitindo que uma variedade de ideias exista paralelamente entre si, o objetivo é focar no presente, permitindo a descoberta, a colaboração e o encontro. Assim como no poema, acreditar que cada amanhecer nos traz uma nova oportunidade de o fazer.

O primeiro projeto a ter lugar é Osmose, uma comissão de parede de Hugo Canoilas.

 

 

Osmose - Hugo Canoilas

Partindo da ideia de desenvolver e produzir alguns vestígios de pinturas na parede da mesma forma que estas acontecem nas paredes do seu próprio estúdio e usá-las como mapas não racionais, onde algumas imagens em torno do seu projeto anterior Gruta pudessem ser reproduzidas.

A Gruta foi um projeto desenvolvido por Canoilas com a Galeria Quadrado Azul. Utilizando parte do subsolo da galeria, a Gruta funcionou como uma obra coletiva e uma plataforma experimental que buscava criar uma comunidade entre um grupo de artistas, a galeria e o seu público. O trabalho produzido por Canoilas para a parede do Quetzal, desdobra um mapa de intervenções já feitas, associações históricas e muitos desejos. As marcas são feitas com tinta acrílica de alta fluidez sobre tela fina e água. As imagens são transferidas (com um material especial à base de água) desde impressões digitais para a parede. A forma como são feitas reproduz uma espécie de camuflagem ou jogo de descoberta do espectador, que procura descobrir na pintura de parede as inserções escondidas.

Luiza teixeira de freitas

Estou entusiasmada e desejosa por trabalhar com a Aveline. Já colaboramos no passado e por essa experiência sei o prazer que é, não apenas trabalhar com ela, mas também fazer parte de um projeto que permite que a arte aconteça num contexto tão especial e único, e que para além disso, permite que a arte saia dos centros urbanos e encontre caminho e espaço em localidades mais remotas e rurais. O nosso foco este ano vai ser maioritariamente o panorama português, e tentar refletir de uma forma mais abstrata e orgânica os tempos que vivemos. Estamos, como todas as outras pessoas no mundo, condicionados a tomar cada decisão à medida que avançamos, e é com essa responsabilidade em mente que construiremos um programa consciente e rigoroso.” (Luiza Texeira de Freitas)

Luiza Teixeira de Freitas

Luiza Teixeira de Freitas é uma curadora independente que vive e trabalha em Lisboa. Entre os vários projetos em que está envolvida destacam-se o trabalho de curadoria com coleções privadas, bem como o seu envolvimento com publicações independentes e livros de artista, tendo lançado a sua própria editora Taffimai em 2018. Embora viva em Portugal, trabalha frequentemente com projetos em São Paulo, Nova Iorque, Londres, Los Angeles e tem também uma forte ligação ao Médio Oriente. Luiza é consultora de estratégia da Delfina Foundation, em Londres; faz parte do Conselho de Administração da revista e plataforma Bidoun; e é ainda, Presidente em membro da Direção da Operação Nariz Vermelho, Portugal. Luiza tem um MFA em Curadoria pela Goldsmiths University, Londres e exposições recentes incluem – Shell Game Andreia Santana e Anna-Sophie Berger (Galeria Filomena Soares, Lisboa, 2021); Volta Grande Alexandre Estrela (PIVÔ, São Paulo, 2019); Tandem – um projeto de um ano com cinco exposições (Alexander e Bonin, Nova Iorque, 2019); There will never be a door. You are inside. Obras da Coleção Teixeira de Freitas (Fundação Santander, Madrid, 2019), A Shimmer of Possibilities (Fundação Eugénio de Almeida, Évora, 2017), Projetos LA (Los Angeles, 2017), O Oco e a Emenda Paloma Bosquê (Branco Pavilhão, Museu da Cidade, Lisboa, 2017); At Arm’s Length Amalia Pica (NC Arte, Bogotá, 2017); O Que Sou? (MAAT, Lisboa, 2017); Uma Conversa Infinita (Museu Berardo, Lisboa, 2014); Apestraction Damián Ortega (Freud Museum, Londres, 2013); Luiza fez também parte da equipa curatorial da Bienal Anozero em Coimbra Curar e Reparar (2017); foi curadora assistente da Marrakech Biennial, Works and Places (2009) e colaborou com a Tate Modern, de Londres, nas exposições de Cildo Meireles e Cy Twombly (2008).