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Próxima Exposição

21/09/2019 - 31/07/2025

SUSAN PHILIPSZ

O Centro de Arte Quetzal tem a honra de apresentar duas instalações site-specific de Susan Philipsz: Tomorrow’s Sky [O Céu de Amanhã] (2019) e Sleep Close and Fast [Dorme Perto e Profundamente] (2019). As obras foram encomendadas por Cees e Inge de Bruin-Heijn para apoiar a iniciativa Artangel, um fundo para o futuro dos Art Angel.

Durante as duas últimas décadas, Susan Philipsz, artista vencedora do Prémio Turner, tem vindo a explorar o potencial psicológico e escultórico do som. Recorrendo predominantemente a gravações da sua própria voz, a artista cria ambientes imersivos de arquitectura e canto, que elevam o envolvimento dos visitantes com o que os circunda, ao mesmo tempo que inspiram uma introspeção reflexiva. A música selecionada por Philipsz – desde baladas seiscentistas e melodias folclóricas irlandesas até Ziggy Stardust de David Bowie – responde especificamente ao espaço em que a obra se encontra instalada. Se cada peça é única, os enredos e referências são frequentemente reconhecíveis, explorando temas tão familiares como a perda, o anseio, a esperança e o regresso. Estas narrativas universais desencadeiam reacções pessoais, criando uma ponte entre o individual e o colectivo, entre espaços interiores e exteriores.

 

Tomorrow’s Sky, 2019

INSTALAÇÃO SONORA EM TRÊS CANAIS
QUINTA DO QUETZAL VINHEDO

Sobre a peça Tomorrow’s Sky, uma instalação sonora em três canais, Susan Philipsz diz:

“O pássaro Quetzal é o símbolo desta vinha e uma das características da paisagem envolvente é o seu vazio e silêncio. Imagino o pássaro conjurado pelo som, abrindo as suas asas sobre a paisagem ao mesmo tempo que esta se funde com o som.

Entrelacei duas rondas inglesas tradicionais para criar uma ressonância contemporânea: Hey, Ho, Nobody Home [Ei, Ho, Ninguém em Casa] e Ah Poor Bird [Ah, Pobre Pássaro] são ambas anónimas e datadas ainda da Idade Média. Os seus arranjos musicais são do compositor inglês Thomas Ravenscroft, e estão incluídas na sua colectânea de cânones e rondas intitulada Pamellia (1609).

A uma voz solitária outras se vão juntando, cada uma vinda das três árvores no cimo da vinha da Quinta do Quetzal. Estas vozes desencarnadas fundem-se e sobrepõem-se para gerar um padrão abstracto de som e movimento que se revela a pouco e pouco. As duas primeiras vozes cantam Hey, Ho, Nobody Home, um cânone dedicado a um vagabundo, provavelmente um cigano que pouco tem mas, ainda assim, será muito feliz. “Ei, Ho, Ninguém em casa, Nem carne nem vinho nem dinheiro tenho, Mas muito feliz serei.” A terceira voz junta-se à ronda cantando Ah Poor Bird. Esta ronda pode ser interpretada como um lamento pelos males do mundo, chorando uma vida fechada nas trevas que deveria ser liberta. A letra percorre os males “Desta negra hora” numa esperança de liberdade e de um novo começo. “Consegues ver a aurora/ do céu de amanhã?” A ronda tem um fim optimista e aberto, que retorna e começa de novo a rodear os ouvintes. “Ah, pobre pássaro, Por que estás fechado nas trevas, Desta negra hora, Ah, pobre pássaro, Faz teu voo, Longe acima dos desgostos, Desta triste noite, Ah, pobre pássaro, Consegues ver, Ao voar, a aurora do céu de amanhã?”

 

Sleep Close and Fast, 2019

INSTALAÇÃO SONORA EM MONO-CANAL
QUINTA DO QUETZAL ADEGA

Sleep Close and Fast, 2019, uma instalação sonora em mono-canal, surgiu depois de Susan ter ouvido dizer que é tocada música às barricas de vinho, enquanto repousam. A ideia agradou-lhe tanto que pensou cantar uma canção de embalar às barricas.

Propôs gravar-se a si própria a cantar o refrão de uma canção de embalar que surge no filme de culto The Wicker Man [O Sacrifício] (1973). Sobre o filme, e essa cena em particular, Susan escreveu o seguinte:

O Sacrifício mostra um ritual pagão de colheita numa remota ilha escocesa. No filme, um devoto polícia cristão é chamado à ilha por um residente preocupado com o desaparecimento de uma criança. Mas a desculpa da criança desaparecida é um estratagema para capturar o polícia, que é preparado para um sacrifício destinado a apaziguar os velhos deuses e assegurar uma boa colheita no ano seguinte.

No final do filme há uma cena tocante em que se ouve uma canção de embalar tocada por Gary Carpenter numa harpa judia. A escala descendente, suave e lenta, e a reconfortante letra ‘dorme perto e profundamente’, contrastam com o horror do polícia ante o seu destino iminente.

O refrão é muito breve, a própria canção dura apenas oito segundos e funciona sobretudo como uma intervenção intermitente, intercalada com a música clássica que já está programada nas caves da adega”.

Link à biografia de Susan Philipsz.