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Exposição Actual

25/05/2020 - 05/07/2020

Felix Gonzalez-Torres “Sem título” (Cantinho dos Biscoitos da Sorte)

A Quinta do Quetzal irá participar numa exposição especial do trabalho de Felix Gonzalez-Torres “Sem título” (Cantinho dos Biscoitos da Sorte) apresentada por Andrea Rosen Gallery e por David Zwirner Gallery.

Será que um biscoito da sorte poderá aproximar-nos, numa altura em que o distanciamento social se impõe? Esta questão, e muitas outras, são o núcleo desta exposição.

 

Felix Gonzalez-Torres
“Sem título” (Cantinho dos Biscoitos da Sorte), 1990
Biscoitos da Sorte, fornecimento permanente
As dimensões gerais variam consoante as instalações
Instalações originais: aproximadamente 10.000 biscoitos da sorte

Curadora: Andrea Rosen

Para esta exposição, um grupo de 1000 pessoas de várias nacionalidades, onde estão incluídos artistas, coleccionadores, colegas e amigos do artista Gonzalez-Torres e da curadora Rosen, foram convidados para apresentar o trabalho, respeitando certos parâmetros criados especificamente para a referida exposição, criando assim um novo significado e compreensão do trabalho de Gonzalez-Torres.

“Ao participarem” – refere o convite, “tornar-se-ão num facilitador, numa parte da totalidade do ‘local’, num espectador, numa plateia”. Inge e Cees de Bruin-Heijn sentem-se honrados por terem sido convidados a participar neste movimento, instalando a obra “Sem título” (Cantinho dos Biscoitos da Sorte), uma peça que consiste num interminável amontoado de biscoitos da sorte que podem ser levados e consumidos pelos visitantes. Inge e Cees de Bruin-Heijn decidiram que a obra devia ser apresentada no Centro de Artes da Quinta do Quetzal.

O Cantinho dos Biscoitos da Sorte é a primeira obra da série ‘doces’ do artista (todos os outros doces estavam envolvidos em papel) que celebra a generosidade e o amor. O visitante pode encontrar os seus biscoitos da sorte desde que a mensagem de sorte tenha um significado positivo. O Chef João Mourato (chef residente da Quinta do Quetzal) e a sua equipa irão produzir os biscoitos da sorte para esta obra.

O facto de se poder cozinhar os biscoitos da sorte através dos nossos próprios meios, aliado ao facto de se poder expor a obra em vários locais ao mesmo tempo, são perfeitos atendendo à actual situação de escala global – COVID-19, que impõe limites à nossa liberdade. Há muita coisa a acontecer ‘online’, contudo esta exposição permite a experiência física com a obra de arte, o que remete-nos para um diálogo muito maior. Será pedido a todos os visitantes para documentarem (em foto e vídeo) a forma como a obra se manifesta; desde o seu processo de instalação, à reposição dos seus elementos a meio do processo até ao tamanho original, passando pelas interacções entre o público e a obra.

Andrea Rosen explica o quão importante é este momento, em termos globais (Artnet): “a obra obriga as pessoas a reconhecer o quão significativa é uma crise, seja ela derivada duma guerra, dum genocídio, ou duma epidemia como a SIDA, que leva normalmente à despersonalização por parte daqueles que não são afectados por ela. Esta é uma oportunidade para compreendermos como é importante sermos unidos, um local, um globo, um mundo, tudo o que está a acontecer afecta-nos a todos.”

Todas as obras de Gonzalez-Torres partilha esta inesgotável esperança quando nos deparamos com a perda e com a impermanência. Existe um sentido profundo de ligação ao próximo e ao mundo, bem como um reconhecimento da fé, da confiança e da vulnerabilidade que acompanha a abertura de nós próprios a algo ou a alguém.

A Fundação Felix Gonzalez-Torres lançou o seu novo website, em conjunto com a exposição.

 

Felix Gonzalez-Torres
Felix Gonzalez-Torres (26 de Novembro de 1957 – 9 de Janeiro de 1996) foi um artista de arte visual, nascido em Cuba e naturalizado Americano. Gonzalez-Torres ficou conhecido pelas suas obras simples e minmalistas. O seu trabalho foi considerado, algumas vezes, um reflexo da sua vivência com a SIDA, ao utilizar materiais como filas de lâmpadas, relógios, resmas de papel ou rebuçados. Homossexual assumido, ele sentiu que seria “muito mais poderoso assumir que o público homossexual e heterossexual eram o mesmo público e que ser nascido em Cuba e naturalizado Americano seria o mesmo que ser Americano”. Em 1987, juntou-se ao Group Material, um grupo de artistas de Nova Iorque cuja intenção era trabalhar de forma colaborativa, aderindo aos princípios do activismo cultural e de educação comunitária. González-Torres foi considerado, no seu tempo, um artista de processo devido à natureza das suas obras ‘amovíveis’, nas quais o processo é um recurso essencial para a obra. Muitas de suas obras convidam o espectador a levar uma parte do trabalho com elas.