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Exposição Anterior

01/04/2017 - 31/07/2017

Colaboração FILIPA OLIVEIRA

Musa Paradisiaca com António Poppe

Desde o seu início que a Musa paradisiaca assenta o seu trabalho na prática da colaboração. Colaborações temporárias que juntam um conjunto de pessoas unidas por afinidades de pensamento e que têm vindo a assumir diferentes formas. No Centro de Arte Quetzal, apresentam Teatro Máximo: um espaço físico, mas também mental, que coloca pela primeira vez, numa relação em tempo real, essa família pensante em diálogo direto com os objetos construídos pela Musa paradisiaca. Se a componente teatral era já evidente na prática destes artistas, aqui o universo da teatralidade afirma-se de uma nova forma. Máximo refere-se assim à ideia de espaço de possibilidades, da possibilidade maior, e pensada como potência virtual, de unir toda a prática desta dupla: tudo o que já fizeram e de tudo o que irão fazer.

No Centro de Arte Quetzal acontece o primeiro episódio desta nova série de trabalhos. A partir de duas sessões públicas, uma na inauguração e a outra no dia 20 de maio, a Musa paradisiaca faz tributo a uma relação de afinidade com António Poppe, poeta e artista visual – com quem a Musa paradisiaca começou a colaborar em 2014, no filme O Êxtase e o Éden, que este sonorizou através de bruitage. Em 2015, juntos, a Musa paradisiaca e António Poppe gravaram um conjunto inédito de canções, sediadas nas margens da sua poesia. Estas canções têm estado presentes no trabalho da Musa paradisiaca desde então.

A sala de projectos no Centro de Arte Quetzal evoca a intimidade desta relação e torna-a pública. A Musa paradisiaca oferece as suas esculturas como cenário às canções e poemas de António Poppe, e Poppe oferece o seu corpo e a sua voz ao pensamento da Musa paradisiaca. Uma obra em particular – o Come-corais (2015-2017) – corporaliza essa relação quase canibal: um verso de um poema de Poppe foi apropriado como título de uma escultura da Musa paradisiaca; escultura que é transformada para receber o coral que inspirou o poema, e que integra agora a obra, a exposição e a performance.

(Filipa Oliveira)

 

Filipa Oliveira
Filipa Oliveira trabalhou como curadora independente de 2002 a 2014. Em janeiro de 2015 assumiu a direção artística do Fórum Eugénio de Almeida, em Évora, instituição para a qual delineou uma nova missão. Nesta categoria, comissariou inúmeras exposições individuais e coletivas, colaborando com instituições como a Kettle’s Yard (Reino Unido), a John Hansard Gallery (Reino Unido), a Tate Modern (Reino Unido), a Fundação Calouste Gulbenkian (França), a Crac Alsace (França), a Kunstverein Springhornhof (Alemanha), a Mead Gallery (Reino Unido), a Frieze Projects (Reino Unido), entre outras. Em 2009-10 foi curadora convidada da série de exposições Portuguese Waves no Threshold Artspace, na Escócia; e em 2012 do Satellite Project no Jeu de Paume, em Paris, onde comissariou as exposições individuais de Jimmy Robert, Tamar Guimarães, Rosa Barba e Filipa César. Foi curadora assistente da 28ª Bienal de São Paulo. Atualmente a colaborar com a Artforum, Filipa Oliveira conta com uma extensa lista de ensaios publicados em catálogos e outras publicações.

Musa paradisiaca 
Iniciada em 2010, uma colaboração de Eduardo Guerra (Lisboa, 1986) e Miguel Ferrão (b. Lisbon, 1986), Musa paradisiaca tem realizado diversas exposições, sessões e apresentações, nacionais e internacionais, de entre as quais se destacam as seguintes exposições individuais: Casa-animal, BoCA – Biennial of Contemporary Arts (Lisboa, Portugal, 2017); Man with really soft hands, Galeria Múrias Centeno (Lisboa, Portugal, 2017); Masters of Velocity, Dan Gunn Gallery, (Berlim, Alemanha, 2016); Alma-Bluco, CRAC Alsace (Altkirch, França, 2015). Destacam-se ainda as suas participações nas seguintes exposições coletivas: Conversas: Arte Portuguesa Recente na Coleção de Serralves, e Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto, Portugal, 2016); Objectos Estranhos: Ensaio de Proto-escultura, Centro Internacional das Artes José de Guimarães (Guimarães, Portugal, 2016); O Museu a Haver, Fórum Eugénio de Almeida (Évora, Portugal, 2015); Le lynx ne connaît pas de frontières, Fondation d’Entreprise Ricard (Paris, França, 2015). E as seguintes performances:
Cantina-Máquina, Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto, Portugal, 2015); Tarefas impossíveis (O Criado do Cenáculo), Palais de Tokyo (Paris, França, 2013). Musa paradisiaca foi finalista do Prémio EDP Novos Artistas, em 2013 e do Prémio SONAE Media Art em 2015.

António Poppe
António Poppe nasceu em 1968, Lisboa, fez a sua formação no Ar.Co. (Centro de Arte & Comunicação Visual) realizando intercâmbios com o Royal College of Art em Londres e com a School of the Art Institute of Chicago, tendo obtido um Mestrado em Arte Performativa e Cinema, nesta última escola. A Assírio & Alvim publicou o seu livro de poema-desenho Torre de Juan Abad em 2000, acompanhado de uma exposição; em 2012 a Documenta publicou Livro da Luz, poema-meditação-desenho-canção; e em 2015 publica o poema medicin na Douda Correria. Presentemente participa em recitais de poesia, realiza exposições e ensina desenho e meditação.

 

Mais informações: leia o folheto Collaboration I, II, III, VI.