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Exposição Anterior

20/05/2018 - 11/02/2019

Desenhando África no mapa

Marlene Dumas, William Kentridge, Moshekwa Langa, Gareth Nyandoro, Bahia Shehab

Durante o festival Evor’Africa, em Évora, o Quetzal Art Centre apresentará a exposição Drawing Africa on the Map [Desenhando África no mapa]; uma mostra que juntará artistas de diferentes regiões do continente Africano, partilhando as suas raízes artísticas através do frágil e cativante suporte que é o desenho. Cada um à sua maneira, este são artistas que têm deixado marcas importantes na cena alargada da arte e do discurso Africano contemporâneo.

A exposição constrói-se em torno da apresentação individual de Gareth Nyandoro (n. 1982, Zimbabwe) com o título Ku4 (que significa Zona Urbana de Ruwe). A prática deste artista é marcada pelos desenhos baseados nas suas impressões sobre as construções mentais e materiais inerentes à esfera urbana da troca económica. No seu trabalho, ele intercala e combina objetos tridimensionais e colagens bidimensionais, utilizando uma paleta variada de materiais encontrados e técnicas artesanais tradicionais e improvisadas a que chama «Kuchekacheka».
No contexto do Festival e acompanhando a exposição de Nyandoro, o Centro de Arte apresenta uma seleção trabalhos da Coleção de Bruin-Heijn. Um conjunto de desenhos íntimos, raramente mostrados, do início de carreira de Marlene Dumas (n. Kaapstad, 1953), produzidos entre o final dos anos 1970 e o final dos 1990, sublinham a importância dos temas do «amor, morte e desejo» na obra da artista. Estes trabalhos são expostos ao lado dos desenhos poéticos de Moshekwa Langa (n. 1975, Limpopo, África do Sul).
Langa aborda o processo artístico como um estudo antropológico do eu, utilizando diferentes suportes e o desenho em particular como uma forma de mapear conteúdos autobiográficos; sempre alternando entre texto, figuração e abstração.
Outro artista da coleção é o sul-africano William Kentridge (n. 1955), do qual mostraremos os filmes Tem Drawings for Projection [Dez desenhos para projeção]. Esta série de curtas-metragens animadas, nenhuma excedendo os dez minutos, foi produzida entre 1989 e 2011 e oferece bons exemplos da técnica singular de desenho animado de Kentridge. No seu conjunto, os filmes contam a história da luta entre dois alter egos – o artista romântico Felix Teitelbaum e o capitalista impiedoso Soho Eckstein, tendo como pano de fundo a cidade natal de Kentridge, Joanesburgo, e a desigualdade e lutas remanescentes de um homem branco na África do Sul pós-apartheid.

A artista, ativista e académica egípcia e libanesa, Bahia Shehab (n. 1977) apresentará um mural tipográfico com o título Mil vezes não. O trabalho foi produzido no contexto de um convite para participar numa exposição comemorando 100 anos de arte islâmica na Europa, sob a condição curatorial de utilizar caligrafia islâmica no trabalho proposto. Uma forma de combater os estereótipos, Shehab sentiu a necessidade de dizer «Não», um vigoroso não, destacado na língua árabe pela declaração «não, mil vezes não». Esta necessidade levou-a a investigar todas as expressões islâmicas da palavra «não» nos últimos 1400 anos, da península Ibérica até às fronteiras da China, apresentando os grafemas que encontrou na forma de uma brochura e um trabalho artístico que apresentou numa exposição. Durante a Primavera Árabe em 2011, a palavra e a tipografia do «Não» de Shehab não era uma apenas uma posição pessoal, mas simbolizava a resistência coletiva contra o regime Egípcio.

Mais informações: leia o folheto ‘Drawing Africa on the Map’ (link)