Arte

Arte

O Centro de Arte Quetzal, dedicado à arte contemporânea, situa-se longe do buliçoso mundo da arte. O programa, destinado a todos os públicos, é orientado pelo desejo de pôr à prova a finalidade da arte fora dos circuitos comerciais tradicionais. Exibem-se obras de artistas consagrados internacionalmente ou de artistas emergentes que, por qualquer razão, escaparam à atenção do público, permitindo-lhes o desenvolvimento de um diálogo com uma geração mais nova de artistas. A arte é capaz de dar visibilidade ao invisível, de tocar os sentidos e de revelar o mundo de um ângulo diferente e as obras patentes no Centro de Arte Quetzal exprimem a essência do agora e projetam um futuro otimista.

Exposição Corrente

Drawing Africa on the Map

Durante o festival Evor’Africa, em Évora, o Quetzal Art Centre apresentará a exposição Drawing Africa on the Map [Desenhando África no mapa]; uma mostra que juntará artistas de diferentes regiões do continente Africano, partilhando as suas raízes artísticas através do frágil e cativante suporte que é o desenho. Cada um à sua maneira, este são artistas que têm deixado marcas importantes na cena alargada da arte e do discurso Africano contemporâneo.

Exposições Anteriores

COLLABORATION DE BRUIN-HEIJN COLLECTION

Erick Beltran and Jorge Satorre – Lucy McKenzie and Lucile Desamory – John Altoon and Ed Ruscha – Thomas Schütte and Richard Deacon – Philippe Parreno and Rirkrit Tiranvanija – Emiliano Perino and Luca Vele – John Baldessari and Matt Mullican – Mika Rottenberg and Jon Kessler 10/2017 – 04/2018

Erick Beltrán & Jorge Satorre, Modelling standard, 2010
In Modelling standard, Erick Beltrán and Jorge Satorre lay out a web of relations based on a shared interest in the methodologic practices of Microhistory, as they are proposed in the essay written in 1979 by Carlo Ginzburg. By commissioning Jorge Aviña to illustrate complex concepts using old-fashioned political cartoon and comic book styles, the two artists tackle mythology, science, philosophy, popular fiction, and cultural themes as they take on the role of criminal detectives to investigate a new way of making history.

Lucy McKenzie & Lucile Desamory, Untitled, 2007 and ABRACADABRA, 2013
Lucy Mckenzie’s and Lucile Desamory’s first collaboration was a pop-up birthday card they made for their friend Birgit Megerle. This casual act led to their collaboration in Jigsaw (Jeu de Societe) (Desamory, McKenzie and Megerle), which took place in several spaces in 2005-06; and, in 2013, to Desamory’s first feature film, ABRACADABRA, and McKenzie’s short film with Richard Kern, The Girl Who Followed Marple, for which each supplied set dressing for the other.

The installation at Quetzal was made for an exhibition in STUK, Leuven in 2007. STUK’s building was originally part of the University of Leuven, and the piece was a custom-made diorama, which drew attention to a small isolated room that could be viewed but not entered from the main exhibition space. The artists worked with the idiosyncrasies of the architecture and acknowledged its historic layers, two of the major themes of their interconnected practices. Away from its original context the work still brings together many of the ideas that they have been developing since the mid 2000s. They transform physical space with flat, one-to-one scale trompe-l’oeil elements, which distort their surroundings and create psychological and narrative tension. McKenzie and Desamory use the language of display found in shop windows, theatrical sets, educational dioramas, and interior design; forms which all use light, space, and a point of view to communicate pleasure and information.

 

John Baldessari & Matt Mullican Pong, 2008

A collaboration between John Baldessari and Matt Mullican (the latter being a former student of the former), this piece is a volley between objects. The work’s title is a reference to Atari’s first versions of table tennis computer games. Baldessari initiated the game by e-mailing Mullican a group of found photographs. Mullican transformed one of the pictures into a scrapbook and the game evolved into a volley of words: Baldessari wrote a limerick and Mullican set off to find the words online. As in any other game, the pleasure we can take from this piece comes from watching the challengers construct and defuse each other’s snares.

 

Mika Rottenberg & Jon Kessler Seven (Alex), 2012

Seven (Alex) is the result of a performance and installation that stretches from the urban landscapes of New York to the African savannas. Combining Kessler’s kinetic sculptures with Rottenberg’s absurdist videos, Seven is a 37-minute piece involving seven live performers in an installation that includes video. The action is focused on the transcontinental production of “chakra juice,” a magic elixir, one assumes, distilled from human sweat. It comes in the seven colors ascribed in Indian medicine to the body’s seven force centers, located at intervals from the bottom of the spine to the crown of the head. Seven boxes were made, each showing one performer. In this case, the yellow box, the performer is Alex. This piece gives us a small insight into what was a much larger work, presenting us with three videos and artifacts from the original performance.

 

John Altoon & Ed Ruscha Colgate, 1964

This work shows Altoon combines his love for abstract painting with his “speedy” figurative images, hinting at his background in advertising. A humorous and sexual image is set against the dense mists of forest greens. In this particular period, Altoon would ask the then young Ed Ruscha to add the words onto his drawings.

 

Philippe Parreno & Rirkrit Tiranvanija Untitled (Ventriloquist Performance #1), 2005 and Untitled (Five Puppets), 2005

On the bench, we can see five puppets in the likenesses of Philippe Parreno, Rirkrit Tiravanija, Pierre Huyghe, Liam Gillick, and Hans Ulrich Obrist watching a film. The film was shot during a conversation in 2005, where Parreno and Tiranvanija were invited to participate in the launch of Hans Ulrich Obrist’s book Interviews Volume I. Instead of attending, they sent two puppets in their likeness (made in Thailand), and a ventriloquist. The ventriloquist performed a dialogue written by Parreno in advance, which was based on past conversations he had with Obrist about experience, memory, theatricality, and human relations. This conversation or performance takes on a new form for this film. The ventriloquist repeats the dialogue on a loop, making the two puppets converse with and tease one another, finally praising Obrist’s interviews project as “a novel!”, “a human comedy!”, “a symphony!”, and as “a polyphony!”

 

Thomas Schütte & Richard Deacon THEM & US(X), 1995

This piece is part of a collaboration by Richard Deacon and Thomas Schütte at Lisson Gallery, London in 1995. With the title Them & Us, these pieces transformed the gallery into a stage setting. The objects and sculptural forms of Deacon interacted with the figurines of Schütte in diverse scenarios emphasizing the importance of the imagination and the metaphor. Them & Us (X) consists of a transparent, architectural structure encasing felt and horsehair objects and pinkish figurines — a light-hearted, self-contained sketch of life.

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COLLABORATION FILIPA OLIVEIRA

Teatro Maximo – Musa paradisiaca with Antonio Poppe 04/2017 – 07/2017

Filipa Oliveira trabalhou como curadora independente de 2002 a 2014. Em janeiro de 2015 assumiu a direção artística do Fórum Eugénio de Almeida, em Évora, instituição para a qual delineou uma nova missão. Nesta categoria, comissariou inúmeras exposições individuais e coletivas, colaborando com instituições como a Kettle’s Yard (Reino Unido), a John Hansard Gallery (Reino Unido), a Tate Modern (Reino Unido), a Fundação Calouste Gulbenkian (França), a Crac Alsace (França), a Kunstverein Springhornhof (Alemanha), a Mead Gallery (Reino Unido), a Frieze Projects (Reino Unido), entre outras. Em 2009-10 foi curadora convidada da série de exposições Portuguese Waves no Threshold Artspace, na Escócia; e em 2012 do Satellite Project no Jeu de Paume, em Paris, onde comissariou as exposições individuais de Jimmy Robert, Tamar Guimarães, Rosa Barba e Filipa César. Foi curadora assistente da 28ª Bienal de São Paulo. Atualmente a colaborar com a Artforum, Filipa Oliveira conta com uma extensa lista de ensaios publicados em catálogos e outras publicações.

 

MUSA PARADISIACA WITH ANTÓNIO POPPE TEATRO MÁXIMO, 2017

Desde o seu início que a Musa paradisiaca assenta o seu trabalho na prática da colaboração. Colaborações temporárias que juntam um conjunto de pessoas unidas por afinidades de pensamento e que têm vindo a assumir diferentes formas. No Centro de Arte Quetzal, apresentam Teatro Máximo: um espaço físico, mas também mental, que coloca pela primeira vez, numa relação em tempo real, essa família pensante em diálogo direto com os objetos construídos pela Musa paradisiaca. Se a componente teatral era já evidente na prática destes artistas, aqui o universo da teatralidade afirma-se de uma nova forma. Máximo refere-se assim à ideia de espaço de possibilidades, da possibilidade maior, e pensada como potência virtual, de unir toda a prática desta dupla: tudo o que já fizeram e de tudo o que irão fazer.

No Centro de Arte Quetzal acontece o primeiro episódio desta nova série de trabalhos. A partir de duas sessões públicas, uma na inauguração e a outra no dia 20 de maio, a Musa paradisiaca faz tributo a uma relação de afinidade com António Poppe, poeta e artista visual – com quem a Musa paradisiaca começou a colaborar em 2014, no filme O Êxtase e o Éden, que este sonorizou através de bruitage. Em 2015, juntos, a Musa paradisiaca e António Poppe gravaram um conjunto inédito de canções, sediadas nas margens da sua poesia. Estas canções têm estado presentes no trabalho da Musa paradisiaca desde então. A sala de projectos no Centro de Arte Quetzal evoca a intimidade desta relação e torna-a pública. A Musa paradisiaca oferece as suas esculturas como cenário às canções e poemas de António Poppe, e Poppe oferece o seu corpo e a sua voz ao pensamento da Musa paradisiaca. Uma obra em particular – o Come-corais (2015-2017) – corporaliza essa relação quase canibal: um verso de um poema de Poppe foi apropriado como título de uma escultura da Musa paradisiaca; escultura que é transformada para receber o coral que inspirou o poema, e que integra agora a obra, a exposição e a performance.

 

Filipa Oliveira

MUSA PARADISIACA

Iniciada em 2010, uma colaboração de Eduardo Guerra (Lisboa, 1986) e Miguel Ferrão (b. Lisbon, 1986), Musa paradisiaca tem realizado diversas exposições, sessões e apresentações, nacionais e internacionais, de entre as quais se destacam as seguintes exposições individuais: Casa-animal, BoCA – Biennial of Contemporary Arts (Lisboa, Portugal, 2017); Man with really soft hands, Galeria Múrias Centeno (Lisboa, Portugal, 2017); Masters of Velocity, Dan Gunn Gallery, (Berlim, Alemanha, 2016); Alma-Bluco, CRAC Alsace (Altkirch, França, 2015). Destacam-se ainda as suas participações nas seguintes exposições coletivas: Conversas: Arte Portuguesa Recente na Coleção de Serralves, e Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto, Portugal, 2016); Objectos Estranhos: Ensaio de Proto-escultura, Centro Internacional das Artes José de Guimarães (Guimarães, Portugal, 2016); O Museu a Haver, Fórum Eugénio de Almeida (Évora, Portugal, 2015); Le lynx ne connaît pas de frontières, Fondation d’Entreprise Ricard (Paris, França, 2015). E as seguintes performances:
Cantina-Máquina, Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto, Portugal, 2015); Tarefas impossíveis (O Criado do Cenáculo), Palais de Tokyo (Paris, França, 2013). Musa paradisiaca foi finalista do Prémio EDP Novos Artistas, em 2013 e do Prémio SONAE Media Art em 2015.

ANTÓNIO POPPE

António Poppe nasceu em 1968, Lisboa, fez a sua formação no Ar.Co. (Centro de Arte & Comunicação Visual) realizando intercâmbios com o Royal College of Art em Londres e com a School of the Art Institute of Chicago, tendo obtido um Mestrado em Arte Performativa e Cinema, nesta última escola. A Assírio & Alvim publicou o seu livro de poema-desenho Torre de Juan Abad em 2000, acompanhado de uma exposição; em 2012 a Documenta publicou Livro da Luz, poema-meditação-desenho-canção; e em 2015 publica o poema medicin na Douda Correria. Presentemente participa em recitais de poesia, realiza exposições e ensina desenho e meditação.

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COLLABORATION ANA CRISTINA CACHOLA

Igor Jesus and Mariana Silva 07/2017 – 09/2017

Ana Cristina Cachola é doutorada em Estudos Culturais e mestre em Comunicação e Gestão Cultural pela Universidade Católica Portuguesa, instituição onde é hoje professora convidada, lecionando diversas disciplinas no campo das artes. Foi bolseira da Fundação de Ciência e Tecnologia durante o período que dedicou à pesquisa para o seu doutoramento Representações da Identidade Cultural Portuguesa na Arte Contemporânea. É coeditora do jornal Diffractions – Graduate Journal for the Study of Culture e investigadora associada no Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (CECC) da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Trabalha como curadora independente desde 2008 e escreve sobre arte contemporânea para diversas publicações.

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Colaboração Isabel Carlos

Orla Barry e Rui Chafes 10/2017 – 01/2018

Isabel Carlos é licenciada em Filosofia pela Universidade de Coimbra e mestre em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa com a tese Performance ou a Arte num Lugar Incómodo (1993). Crítica de arte desde 1991, tem ocupado diversos cargos de destaque, incluindo o de assessora para a área de exposições de Lisboa’94 – Capital Europeia da Cultura. Foi cofundadora e subdiretora do Instituto de Arte Contemporânea, tutelado pelo Ministério da Cultura (1996-2001), tendo organizado, entre outras atividades inerentes ao cargo, as representações portuguesas na Bienal de Veneza (2001) e na Bienal de São Paulo (1996 e 1998). Foi membro dos júris da Bienal de Veneza (2003), do Turner Prize (2010), The Vincent Award (2013), entre outros. Co-seleccionadora do Ars Mundi, Cardiff (2008). Entre as inúmeras exposições que organizou, destacam-se: Bienal de Sidney On Reason and Emotion (2004), Intus de Helena Almeida, Pavilhão de Portugal, Bienal de Veneza (2005), Provisions for the Future, Bienal de Sharjah (2009). Entre 2009 e 2015 foi diretora do Centro de Arte Moderna – Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

Orla Barry & Rui Chafes, Golden Pocket, 2017

A colaboração Orla Barry e Rui Chafes recua a 2002. Golden Pocket(Algibeira Dourada), criada de raiz para o Quetzal Art Centre é a terceira obra que resulta do encontro entre duas linguagens e materiais que se situam aparentemente em polos opostos: o ferro e a palavra.
Barry (1969, Wexford, Irlanda) trabalha com a linguagem escrita e falada em registos tão diferentes como a performance, o vídeo e peças de som; Chafes (1966, Lisboa) fez do ferro o material de eleição para as suas obras pintadas de negro. Em Golden Pocket estes dois artistas criam um universo muito próprio que se situa entre o poético e o orgânico, entre o físico e o metafísico, entre a metáfora e a metamorfose.

Os quinze metros da cortina-espiral em que as palavras se organizam, ora em diagramas geométricos e fechados, ora em pontuações fluídas e esvoaçantes, conduzem-nos a uma criatura híbrida que tanto pode pertencer ao reino animal, como ao reino vegetal ou simplesmente ao reino da ficção científica.

As palavras remetem ora para o mundo rural — adultera agrícola, a mente do pastor — ora para um mundo onde isolamento e comunicação são duas faces da mesma moeda — estas palavras são tuas ou minhas?, poça léxica, diálogo enigmático ao telefone — num registo poético e lírico pleno de incerteza, humanidade, redenção, catarse e um profundo desejo de chegar ao “outro”.
O “outro” que a escultura em ferro concretiza, mas não apazigua. Pelo contrário, inquieta ainda mais na sua não pertença a nada que identifiquemos com o mundo concreto e visível.
“On entering this space you fall through the gaps between the colours of the rainbow” estas foram as palavras dos dois artistas para descreverem esta sua colaboração.

Isabel Carlos

 

Orla Barry

Orla Barry (1969) é artista visual e pastora. Após dezasseis anos em Bruxelas, Barry mudou-se para o sudeste da Irlanda, onde cuida de um rebanho de ovelhas Lleyn. No seu trabalho, a artista aborda os temas da fisicalidade e poética da oralidade. Apresentou as suas performances em espaços e eventos como o Performatik 17, Bruxelas; The Project Arts Centre, Dublin; The South London Gallery e Tate Modern, em Londres; If I Can’t Dance, De Appel Amsterdam; e The Playground Festival, Leuven. Teve exposições individuais na Templebar Gallery, Dublin; no CCB, Museu Berardo, Lisboa (com Rui Chafes); no Irish Museum of Modern Art, Dublin; no SMAK, em Ghent; Camden Arts Centre, em Londres; e no Palácio de Belas Artes, em Bruxelas.

 

Rui Chafes

Rui Chafes (1966) trabalha prioritariamente com ferro e aço. Após completar a licenciatura em Escultura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, estudou com Gerhard Merz na Kunstakademie Düsseldorf entre 1990 e 1992, onde traduziu os Fragmentos de Novalisdo alemão para o português. Conta com exposições individuais no Museu de Serralves (com Pedro Costa), no Porto; no CAM – Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa; no Palácio Nacional da Pena, em Sintra; no Museu Coleção Berardo (com Orla Barry), em Lisboa; no SMAK, em Ghent; no Folkwang Museum, em Essen; no Esbjerg Kunstmuseum, em Esbjerg; no Nikolaj Contemporary Art Center, em Copenhaga; na Fondazione Volume!, em Roma; na Fundação Eva Klabin, Rio de Janeiro; Fundación Luis Seoane, A Coruña; Hara Museum (com Pedro Costa), em Tóquio; no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro; Ilmin Museum of Art (com Pedro Costa), Seul. Participou na Bienal de São Paulo em 2004 (com Vera Mantero) e na Bienal de Veneza em 1995 e 2013.

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Colaboração LUIZA TEIXEIRA DE FREITAS

Alexandre Estrela 01/2018 – 04/2018

Luiza Teixeira de Freitas vive em Lisboa e é curadora independente envolvida em diversos projetos. Entre os seus projetos mais recentes destacam-se os que comissariou para as galerias Travessia Cuatro (Madrid e Guadalajara), Silvia Cintra + BOX4 (Rio de Janeiro), a Simon Lee Gallery (Londres), e para as insituições Museu Berardo (Lisboa), e a David Roberts Art Foundation (Londres). Luiza está ativamente envolvida com livros de artistas e projetos de publicações independentes, assim como curadoria de diversas coleções privadas. Foi coordenadora de desenvolvimento e patronos para a Chisenhale Gallery, Londres (2011-13); trabalhou em projetos especiais para Alexander and Bonin, Nova Iorque (2006-12) e kurimanzutto, México (2008-12); foi curadora assistente da Bienal de Marraquexe, Works and Places (2009) e colaborou na Tate Modern, Londres nas exposições de Cildo Meireles e Cy Twombly (2008). Faz parte do Conselho Administrativo da Chisenhale Gallery em Londres, e é consultora estratégica da Delfina Foundation, também em Londres.

 

ALEXANDRE ESTRELA, OURO MOURO & UNTITLED, 2017

A exposição apresenta dois trabalhos de Estrela em diálogo. O primeiro, Untitled (2017) é uma videoinstalação que retrata a reação comportamental de uma imagem a um corpo estranho, pendurado na superfície do ecrã. Na mesma sala, um segundo trabalho, com o título OURO MOURO (2017) — um nome popular para latão —, pode ser visto como uma experiência (alquímica) sobre as propriedades da matéria após ter sido fotografada. Em OURO MOURO, a luz projetada do vídeo questiona a imutabilidade do conteúdo de uma fotografia. Aquilo que inicialmente víamos como cobre transforma-se em ouro sólido.
Identidade e estatuto são conceitos essenciais na cultura humana e a apresentação de objetos brilhantes, raros e inúteis está presente em todas as culturas.

Com estes dois trabalhos, Estrela questiona o desejo humano de posse, de ter e conservar algo que é excecional e exclusivo, mas ao mesmo tempo superficial no seu conteúdo.
A prática artística de Alexandre Estrela estende-se aos domínios do vídeo, do cinema e da instalação. Muito influenciados pela história do vídeo experimental, os seus trabalhos dependem muito daquilo que cada um percebe quando confrontado com eles. As suas ideias conjugam o simples e o complexo, o profundo e o despretensioso. No cerne da sua obra está a utilização da materialidade da imagem para questionar um vasto leque de assuntos.

 

ALEXANDRE ESTRELA

A obra de Alexandre Estrela expande-se espacialmente e temporalmente através de diferentes suportes. Cada peça é uma reflexão sobre a “imagem em si”, definindo-a como uma entidade autónoma que não pode ser reduzida ao escopo da representação. Nos seus vídeos e instalações, Estrela examina as reações psicológicas do sujeito às imagens através da sua interação com a matéria.
Cada peça tem várias camadas, às quais somos introduzidos passo a passo. Os trabalhos não estão aqui apenas para ser vistos, mas para ser descobertos. São obras que convocam experiências sinestésicas, ilusões sonoras e visuais, sensações cromáticas e aurais que funcionam como armadilhas percetuais que introduzem o espectador aos níveis conceptuais do trabalho.
Estrela faz uma problematização constante dos elementos que constituem o ato de perceber, ramificando a visão noutras dimensões do sensível, sempre na direção do invisível e do inaudito.
O seu trabalho é profundamente enraizado na História da Arte e nos seus heróis modernistas, mas bebe também dos discursos da ciência, da neurociência, da física e da acústica, mas também da alquimia, da ficção científica, tratados óticos reais e fictícios, etc. No entanto, aquilo que confere a muitos dos seus trabalhos uma característica peculiar é o uso repetido de imagens da natureza e paisagens combinadas com várias técnicas de gravação e reprodução, que por vezes explora até aos limites da legibilidade e desnaturação.
Entre as suas mais recentes exposições incluem-se, Baklite, 2017, CAV Centro de Artes Visuais, Coimbra; Cápsulas de silêncio, 2016, Programa Fisuras, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid, Espanha; Roda Lume, 2016, Museum of Contemporary Art of Antwerp M HKA, Bélgica; Meio Concreto, 2013, Museu de Serralves, Porto; Um homem entre quatro paredes, 2013, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil; The Sunspot Circle, 2013, The Flat Time House, Londres, Reino Unido; Alexandre Estrela: Subjective Projections, 2011, Bielefelder Kunstverein, Bielefeld, Alemanha; Viagem ao Meio, 2010, Galeria Zé dos Bois, Lisboa, Portugal, entre outras.
O artista participou em inúmeras exposições coletivas, entre as quais se destacam: Lua Cão (com os artistas Paiva & Gusmão), 2017, Galeria Zé dos Bois, Lisboa, com curadoria de Natxo Checa (com itinerância para o Kunstwerein Munich e Casa Encendida em 2018); L’exposition d’un Rêve, 2017, Gulbenkian Paris (projeto por Mathieu Copland); Curar e Reparar, Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, 2017 (com curadoria de Ana Luiza Teixeira e Delfim Sardo); Hallucinations, um festival com curadoria de Ben Russel para a Documenta 14, Atenas, 2017, etc.
Alexandre Estrela dirige o estúdio Oporto, uma sala de projeções vídeo situada em Lisboa.

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PAT O’NEILL

Get more out of life. Go out to a movie! 05/2016 – 02/2017

Pat O’Neill (1939) é um artista e cineasta cuja utilização inovadora de técnicas óticas foi precursora e influenciou a nossa paisagem digital contemporânea. Tendo iniciado experiências com técnicas de colagem ainda no liceu e transitando do design para o cinema durante os seus estudos na UCLA, tornou-se professor no programa de cinema da CalArts e um dos fundadores do movimento do cinema de vanguarda de Los Angeles. Contribuiu também diretamente para a indústria cinematográfica através da sua empresa de efeitos especiais, Lookout Mountain Studios, onde ao longo dos anos trabalhou com a sua equipa em inúmeros filmes publicitários, curtas-metragens e filmes independentes, assim como em importantes longas-metragens de Hollywood, incluindo o segundo e terceiro episódios de Star Wars.Nesta exposição no Centro de Arte Quetzal, damos relevo aos filmes de O’Neill, destacando as belas qualidades surrealistas e bem-humoradas do seu trabalho. Apresentamos oito das suas primeiras obras experimentais, produzidas entre 1963 e 1979, as quais sublinham esta atenção complexa e enigmática às colisões e ligações entre a civilização humana e o mundo natural – uma preocupação também evidente nos seus desenhos, colagens, fotografias, fotomontagens e esculturas. Os filmes incluídos na exposição são: By the Sea (uma colaboração com Robert Abel, 1963), 7362 (1967), Screen (1969), Runs Good (1970), Last of the Persimmons (1972), Saugus Series (1974), Sidewinder’s Delta (1976) e Foregrounds (1979).
Extremamente gráficos, reflexivos e multifacetados, os filmes de O’Neill são expressões livres do seu domínio das técnicas de impressão ótica. Na impressão ótica, as imagens filmadas são copiadas para película cinematográfica virgem e submetidas a uma série de tratamentos e processos, desde fusões e múltiplas exposições à animação manipulada de sequências ao vivo. Combinando imagens encontradas com técnicas radicais de montagem e composição, O’Neill cria uma linguagem gráfica que revela as relações inesperadas que se formam dentro do fotograma quando são associados elementos diversos e muitas vezes contraditórios de uma perspetiva convencional. A sua hábil orquestração de limites que se dissolvem, narrativas em colapso e múltiplos níveis de imagens em movimento atrai o espetador para um significado linear e, ao mesmo tempo, distancia-o deste.

Os filmes de Pat O’Neill são poesia visual – uma viagem vivencial por uma veloz corrente cinemática de imagens, sons e ideias que umas vezes se suportam e outras vezes se contradizem mutuamente, produzindo novas possibilidades radicais.

ROBERT HEINECKEN

Are you Rea 05/2016 – 02/2017

Robert Heinecken (1931-2006) foi professor de design gráfico de Pat O’Neill na UCLA em 1961, tendo exercido uma poderosa influência sobre o seu aluno. O’Neill explica: “Ele empreendeu o projeto radical de libertar a fotografia da técnica mecânica e procurou instituí-la como uma forma de arte por direito próprio. Foi um rebelde no sentido em que abraçou a transgressão da pureza do meio. Éramos incentivados a distorcer a tecnologia, a manipular o negativo, a cortar a cópia e até a pintar sobre a sua superfície.” (Entrevista com John G. Hanhardt em Views from Lookout Mountain, p.195.)Na sua obra, Heinecken examinou as possibilidades materiais do meio fotográfico. Ao invés de se concentrar na imagem fotográfica como produto unicamente da câmara, a sua atenção incidiu sobre a interação e o impacto de diversas técnicas e do formalismo – muitas vezes aplicado de forma irreverente e bem-humorada – sobre material de suportes populares. Usando a colagem, o tratamento da cor, a química da câmara escura experimental, a técnica polaroide, a prata coloidal, a impressão digital e a litografia, entre outros, lançou métodos alternativos para registar e reproduzir imagens de objetos.O fascínio de Heinecken pelo tratamento e transformação da mesma imagens de múltiplas formas é evidente na sua série Are You Rea. Começando por tirar fotogramas de jornais e revistas, realizou com eles impressões em prata colloidal e recorreu depois à litografia para criar a edição final. A afinidade estética do artista com o Dadaísmo e o Surrealismo é também explícita – a palavra “real” num anúncio numa revista é abreviada para “rea” no fotograma e é pronunciada “ray” no título da série, numa referência às “raiografias” de Man Ray. Demonstrando a visão de Heinecken de que as imagens representam experiência fabricada, as impressionantes justaposições de texto e imagens de anúncios revelam o papel da sugestão subconsciente nos meios de comunicação de massa, a promoção do hiper-consumo do sexo, da comida, de gadgets em voga e de bens materiais, e a cumplicidade em imagens aparentemente inocentes e vulgares.

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TRISHA BAGA

MS Orlando 05/2016 – 02/2017

Trisha Baga (1985) é uma jovem artista nova-iorquina, conhecida pelas suas absorventes instalações em vídeo multimédia e 3D. Caraterizada pela interligação de assuntos e temas e o uso da atenção acelerada, os seus trabalhos incorporam materiais encontrados e objetos artesanais e inspiram-se em diversos meios e técnicas para ativar encontros transicionais entre objetos no espaço real e digitalizado.Como Pat O’ Neill, Trisha Baga trata as imagens em movimento com uma liberdade extraordinária, encarando-as como apenas mais um material, e utiliza técnicas de montagem não sequenciais e não lineares para mostrar o mundo quotidiano a partir de diferentes perspetivas. Ambos os artistas dão realce à natureza fugaz e variável da experiência percetual. Alternam entre imagens abstratas e representacionais em formatos e combinações processados de formas variadas que refletem mitos e narrativas do presente, do passado e do futuro.Nesta exposição, apresentamos o filme de Trish Baga MS Orlando (2015), uma parte do projeto mais vasto Orlando que faz referência à cidade na Flórida e ao romance de Virginia Woolf. A ação decorre num futuro distante em que, na sequência de um grande degelo, a Flórida é inundada e Orlando é uma das últimas cidades a submergir. Os pavões constituem a espécie dominante; um projetor de diapositivos cerâmico surge como um artefacto arqueológico muito antigo; cadeiras de jogo equipadas com altifalantes emitem sons diegéticos e não diegéticos de fontes díspares; e aparece uma sequência de imagens de danças sincronizadas num centro comercial, várias janelas abertas num ecrã de computador, turistas em Times Square em Nova Iorque, coisas a acontecer debaixo de água, pavões a avançar para a câmara e a própria Baga a arrastar tinta sobre as imagens. A geografia, o tempo e o espaço misturam-se em camadas, significados e narrativas múltiplos que se movem e interpenetram.

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